A Prefeitura de Sorocaba, por meio da Secretaria da Educação (Sedu) e da Secretaria da Cidadania (Secid), com sua Coordenadoria da Igualdade Racial, mais o Conselho Municipal do Negro e o Conselho Municipal de Educação de Sorocaba (CMESO) somaram forças para realizar o 4º Fórum de Educação para as Relações Étnico-Raciais. O tema escolhido para tratar do assunto é: Implementando a educação das relações étnico-raciais: saberes e práticas para uma educação antirracista.
O Fórum foi realizado no Centro de Referência em Educação (CRE), com abertura na quinta-feira (17), à noite, e palestras e apresentações ao longo desta sexta-feira (18). A frente de honra do evento foi formada pelo secretário da Educação, Marcio Carrara; o secretário da Cidadania, Clayton Lustosa; a dirigente da Regional de Ensino, Rossenilda Gomes Farias; o presidente do Conselho Municipal do Negro, José Marques de Oliveira; e a responsável pela Coordenadoria da Igualdade Racial da Secid, Viviane Taveira. O evento teve como mestre de cerimônia o supervisor de Ensino Renan Luiz Genaro. Foram convocados a participar 320 docentes, público que lotou o auditório do CRE. Na cerimônia de abertura, além disso, houve a presença de cerca de 40 alunos da EJA (Educação de Jovens e Adultos), da E.M. “Irineu Leister” e da E.M. “Ana Cecilia Falcato Prado Fontes, Prof.ª”.
Durante a abertura, o foco principal das falas contemplou a necessidade de implementação do ensino da história da cultura africana nas escolas. “A educação para relações étnico-raciais começa muito antes da sala de aula. E o 4º Fórum nasce na perspectiva de ajudar, de forma prática, nessa implementação. E, muito provavelmente, o futuro desse fórum é se tornar uma estratégia de educação continuada importante para que se encontrem as soluções para o desafio levantado”, sugere o presidente do Conselho Municipal do Negro.
A dirigente Regional de Ensino abordou um aspecto também muito relevante, que é a forma como o racismo pode impactar nas crianças e nos adolescentes e deu um conselho baseado em sua experiência pessoal sobre o assunto. “Não deixem que falem que você é aquilo que você não é”. Isso porque as atitudes racistas chegam sempre impregnadas de preconceito, em falas que tentam diminuir a imagem do outro, mesmo que não correspondam à realidade. “Essa pauta, do racismo, existe o ano todo. Além disso, é importante lembrar que essa pauta não diz respeito apenas à pessoa preta, mas a todas as pessoas”.
Para o secretário da Cidadania, esse é um assunto para ser lembrado e combatido em todos os ambientes, e não somente na escola. “Mas, mesmo na escola, aprender a lidar com as relações étnico-raciais não se restringe a alunos e professores. Ao contrário, envolve todas as pessoas que constituem o ambiente educacional. Mas, também fora, precisamos avançar na luta contra o problema racial”, ele defende. Lembrando que, ao longo do ano, várias atividades relativas à temáticas, foram trabalhadas com os alunos nas escolas da rede municipal de ensino.
O secretário da Educação, Marcio Carrara, se dirigiu a toda a plateia, ao ressaltar: “parabéns a todos os presentes neste Fórum, pois é debatendo o tema que estamos construindo a educação antirracista. E eu destaco duas coisas importantes: primeiro, que precisamos avançar muito mais e, segundo, a necessidade de trazermos muito mais pessoas para se engajarem nesse tema, tão relevante. Ainda, caminhando nesse sentido, vemos que a cultura afrobrasileira precisa ser abraçada nas salas de aula”.
Um dos palestrantes convidados, o Prof. Natanael dos Santos, defendeu a ampliação do conhecimento sobre o tema. “Acredito que a educação transforma, mas só vai transformar com informação. A escola e a educação são o caminho para combater o racismo, o que implica formação e informação aos professores e todos os demais profissionais presentes na escola, além dos alunos”. A outra palestrante convidada foi a indígena, da etnia Fulni-ô, Pagu Rodrigues. Ela, por sua vez, também argumentou sobre a necessidade de informar mais a sociedade sobre a diversidade de culturas dos povos originais brasileiros, uma vez que existem mais de 350 povos indígenas espalhados pelo Brasil, cada um com suas peculiaridades e que também devem ser respeitadas. “Por isso, é tão difícil falar em Dia do Índio, pois não há uma etnia única no Brasil”, ela compara.
No dia seguinte, a programação teve início com apresentações de Dança e Capoeira dos alunos da E.M. “Prof. Benedicto Cleto”, que integram o projeto “Eu Pratico Esporte Educacional Escolar”.
Também participaram da programação a diretora de escola Rosana O. Rocha, que apresentou ações e projetos que foram desenvolvidos sobre o tema nas instituições educacionais da rede municipal de ensino de Sorocaba. Na parte da tarde, o roteiro se repetiu, para o novo público, contando, mais uma vez, com a participação de profissionais da educação. Houve, ainda, as atrações musicais Simone Sil, no primeiro dia, e Rose Oliveira e Júlio Simpatia, no segundo dia do Fórum.
“O 4° Fórum de Educação para as Relações Étnico-raciais finaliza com ‘chave de ouro’ a série de ações promovidas pela Secretaria da Educação ao longo do ano de 2022, e isso nos desafia a melhorar e ampliar as ações para uma educação antirracista”, finaliza a gestora de Desenvolvimento Educacional, Danila Paschoine Firmino.
Fotos: Rose Campos/Secom
Educação – Agência de Notícias