O professor Marcos Costa, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), é destaque de uma pesquisa internacional que descobriu 75 genes ligados ao risco de desenvolvimento do Alzheimer.

Marcos é o único brasileiro de uma equipe que envolveu cerca de 20 países e mais de 120 instituições – entre laboratórios, universidades e hospitais, – além de 386 pesquisadores de todas as áreas da ciência.

Suas descobertas foram publicadas na revista científica Nature Genetics em abril.

O brasileiro, formado em Medicina e doutor em Fisiologia, é coautor do estudo. Atualmente, ele trabalha como professor adjunto da UFRN, onde chefia o laboratório de Neurobiologia Celular do Instituto do Cérebro.

Marcos Costa é professor do ICe/UFRN e pesquisador do Instituto Pasteur — Foto: Divulgação/UFRN

Em 2019, Marcos atuava como professor visitante no Instituto Pasteur de Lille, na França, onde o estudo foi desenvolvido. A descoberta de fatores genéticos que aumentam os riscos de desenvolver Alzheimer é a culminação de um trabalho que ele se aprofunda há muitos anos.

Tanto que já escreveu 5 artigos sobre o assunto, dos quais em três ele figura como pesquisador principal.

Esta é uma das maiores pesquisas sobre risco genético para a doença em toda a história. Para chegar aos resultados, Marcos e os demais integrantes da equipe analisaram os genomas de milhares de pessoas com diagnóstico clínico de Alzheimer e compararam com genes de indivíduos cognitivamente saudáveis.

Foram utilizados genomas de mais de 15 países da União Europeia, Brasil, Argentina, Canadá, Austrália, Nigéria, Islândia, Nova Zelândia, EUA e Reino Unido.

Com essas informações em mãos, os cientistas criaram uma espécie de “pontuação de risco” genético que poderá contribuir para identificar indivíduos com maior susceptibilidade de desenvolver a doença.

Foto: Reprodução / Roche

“A doença de Alzheimer é a principal causa de demência e tem um grande impacto na sociedade. A descoberta de genes associados com o aumento do risco de desenvolver a doença é um primeiro passo no sentido de entendermos a fisiopatologia da doença. O meu trabalho principal é estudar os processos biológicos regulados por estes genes em células neuronais e gliais humanas com o objetivo de elucidar os mecanismos patológicos da doença de Alzheimer e desenvolver novas abordagens terapêuticas”, disse Marcos.

Ele também destacou que uma pessoa com os genes identificados possuem até 20% mais chances de desenvolver o transtorno. Ainda assim, esses números não são determinantes.

Em outras palavras, ainda que uma alteração genética seja identificada, isso não significa com certeza que o indivíduo irá desenvolver a doença de Alzheimer.

“No futuro, quando a gente souber exatamente o que cada um desses genes está afetando, vamos poder escolher o tratamento do paciente de acordo com as alterações genéticas identificadas nesse indivíduo. De fato, a genética sugere que a doença de Alzheimer seja altamente heterogênea, com diferentes alterações patológicas podendo provocar o mesmo desfecho clínico (perdas cognitivas). E, para cada uma dessas diferentes alterações patológicas, vão existir tratamentos mais eficazes e específicos. Mas, para chegarmos a este ponto, precisamos avançar mais no entendimento do papel biológico dos genes de risco e como eles contribuem para a doença”, explicou o professor.

Nesse sentido, o estudo dos genes é estratégico para antecipar o diagnóstico do Alzheimer, aumentar a qualidade de vida do paciente e implementar terapias preventivas que impeçam o desenvolvimento da demência.

Graças aos esforços de Marcos, no futuro será possível não apenas selecionar com eficiência os tratamentos mais adequados, mas também detectar variantes genéticas nos descendentes e pensar numa nova terapia profilática para esses indivíduos.

Hoje, mais de 35 milhões de pessoas espalhadas pelo mundo sofrem com a patologia.

Fonte: Livre TV Notícias

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