GAZETA DE SOROCABA

Vereador de Sorocaba e vice-presidente da Associação Comercial e Empresarial de Alumínio (ACEA), Carlos Eduardo Di Bartolomeo, entram com representação no MP contra novo pedágio na Raposo Tavares.

Gazeta de Sorocaba
Por Redação
Publicado em 20 de Agosto de 2025 às 10:40

O vereador de Sorocaba, Ítalo Moreira, em parceria com o vice-presidente da Associação Comercial e Empresarial de Alumínio (ACEA), Carlos Eduardo Di Bartolomeo, anunciou nesta segunda-feira (19) que formalizará uma denúncia ao Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) visando barrar a implantação do novo pedágio no km 82 da Rodovia Raposo Tavares (SP-270). A medida também será acompanhada de um pedido para a remoção integral da estrutura de cobrança, programada para começar a operar no mês de outubro.

A denúncia baseia-se nos impactos sociais, econômicos e estruturais que o pedágio causará à população de Sorocaba, Alumínio e demais cidades próximas, que integram a Região Metropolitana de Sorocaba (RMS). De acordo com Ítalo Moreira, o pedágio eletrônico, implementado no modelo free flow e sem a necessidade de praças físicas, comprometerá o sustento de trabalhadores, estudantes e empresas, especialmente as famílias que dependem da rodovia para deslocamento diário.


“É um golpe contra os trabalhadores e estudantes”, afirma o vereador

De acordo com Ítalo Moreira, a implantação desse pedágio afeta diretamente as populações mais vulneráveis.

“Alumínio é uma cidade que possui uma profunda interdependência econômica e social com Sorocaba, evidenciada pelo intenso fluxo de trabalhadores, estudantes e pacientes que dependem diariamente do deslocamento entre as duas cidades. Muitos habitantes de Alumínio utilizam Sorocaba como base para acessar hospitais, instituições de ensino e oportunidades de emprego. Da mesma forma, um grande número de moradores de Sorocaba trabalha em Alumínio, principalmente na Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), um dos maiores empregadores da região e um pilar da economia local.

A instalação de um pedágio nesse trecho representa uma barreira que fere os direitos fundamentais ao trabalho, à saúde e à educação, impedindo que essas populações exerçam plenamente suas atividades de subsistência e de desenvolvimento profissional e pessoal. Além disso, o impacto econômico será severo: famílias que recebem até três salários mínimos, em sua maioria trabalhadores e estudantes, verão uma parcela significativa de sua renda comprometida com o custo desse deslocamento indispensável, o que é absolutamente inadmissível e desproporcional.”

O vereador também destacou que não há vias alternativas disponíveis entre Sorocaba e Alumínio, o que obriga os motoristas a utilizarem a SP-270 e, consequentemente, a arcarem com o pedágio.

“Estamos pedindo justiça. Esse pedágio não oferece escolha ao cidadão. Ele é uma barreira econômica que ataca diretamente os menos favorecidos.”


O impacto sobre as empresas e a economia regional

Carlos Eduardo Di Bartolomeo, vice-presidente da Associação Comercial e Empresarial de Alumínio (ACEA), destacou os efeitos nocivos do pedágio para o setor industrial e comercial.

“A CBA (Companhia Brasileira de Alumínio), um dos maiores empregadores da região, será fortemente impactada. Sorocaba e Alumínio têm uma relação histórica e interdependente: muitos moradores de Sorocaba trabalham na CBA, assim como diversos moradores de Alumínio dependem dos serviços comerciais e hospitalares de Sorocaba. Esse pedágio aumenta o custo logístico, compromete as relações econômicas e desestimula negócios na região.”

Carlos Eduardo também afirmou que a decisão de implementar o pedágio no km 82, sem reduzir tarifas ou implementar isenções para moradores locais, representa um retrocesso econômico e social. Para ele, o projeto vai contra os princípios que regem a formação de uma região metropolitana integrada.

“Na prática, o pedágio acentua divisões regionais, quando o nosso objetivo deveria ser justamente integrar os municípios. A ideia de cobrar nos dois sentidos da rodovia é uma decisão desproporcional, injusta e que precisa ser revista.”


Base Jurídica da Denúncia

A representação ao Ministério Público paulista será fundamentada em princípios constitucionais e legais que visam garantir a mobilidade entre cidades da mesma região metropolitana. Entre os principais argumentos apresentados pelos líderes do movimento, estão:

•⁠ ⁠Violação do Princípio da Dignidade da Pessoa Humana: O pedágio compromete o mínimo existencial de trabalhadores e estudantes de baixa renda, essencial para o exercício de seus direitos fundamentais ao trabalho, à saúde e à educação.
•⁠ ⁠Impacto na Interdependência Regional: Como integrantes da Região Metropolitana de Sorocaba, cidades como Sorocaba, Alumínio e adjacências dependem de políticas públicas que favoreçam a integração socioeconômica, conforme prevê o Art. 25, §3º, da Constituição Federal.
•⁠ ⁠Ausência de Vias Alternativas e Desproporcionalidade: Não há nenhuma rota alternativa gratuita que permita o deslocamento entre as cidades sem o pagamento do pedágio, caracterizando abuso e violação da razoabilidade.
•⁠ ⁠Impacto Econômico nas Empresas e Pequenos Negócios: O custo adicional afetará diretamente indústrias como a CBA, que emprega dezenas de trabalhadores sorocabanos, elevando os custos logísticos e prejudicando o comércio local.
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Além disso, serão anexadas jurisprudências como o Recurso Extraordinário 581947/RO do Supremo Tribunal Federal (STF), que estabelece que tarifas públicas devem ser proporcionais e respeitar a capacidade econômica dos usuários, e decisões do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), que reconhecem a necessidade de isenção ou redução de pedágios para populações locais.


“Vamos lutar juntos pela suspensão desse pedágio”, reforçam os líderes

A denúncia se junta a múltiplos esforços já relatados por moradores e lideranças locais para evitar o aumento nos custos de deslocamento. Segundo o vereador Ítalo Moreira, a representação ao Ministério Público é apenas o primeiro passo para a defesa das comunidades afetadas. Ele reforça que a mobilização coletiva poderá ser determinante no êxito do movimento.

“Convoco os moradores de Sorocaba e Alumínio para que fiquem atentos e apoiem essa causa. Esse pedágio não afeta apenas o bolso do trabalhador, mas a economia de toda a nossa região.”

Para Carlos Eduardo Di Bartolomeo, é fundamental que as autoridades políticas do estado revejam a decisão e enxerguem os impactos reais do modelo proposto para a Rodovia Raposo Tavares.

“Não somos contra a modernização ou melhorias nas rodovias, mas ela precisa vir com diálogo, com justiça social e analisando os impactos nas populações mais vulneráveis. Não aceitaremos decisões que aprofundem as desigualdades.”


Mobilização Popular e Próximos Passos

A apresentação oficial da denúncia será feita ainda esta semana na sede do Ministério Público Estadual (MPSP), em Sorocaba. Os líderes esperam que o MP abra um inquérito civil público para investigar os impactos da medida e, se possível, ajuíze uma Ação Civil Pública (ACP) para suspender definitivamente a cobrança de pedágio no local.

Além disso, Ítalo Moreira pretende organizar nos próximos dias audiências públicas e reuniões nas comunidades afetadas, para ampliar os debates e engajar a população na luta pela remoção do pedágio.

“Vamos lutar para que o pedágio no km 82 seja barrado. Esta não é apenas uma questão política, mas uma questão de justiça com as pessoas que já enfrentam tantas dificuldades para se sustentar e estudar.”

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