GAZETA DE SOROCABA

Gilmar Mendes nega soltar dono de Porsche que matou motorista de aplicativo em março

Gazeta de Sorocaba
Por Redação
Publicado em 30 de Janeiro de 2025 às 20:33

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O ministro do STF (Supremo Tribunal Federalista) Gilmar Mendes negou, nesta quinta-feira (30), o pedido de habeas corpus da resguardo do motorista de Porsche Fernando Sastre de Andrade Fruto, 25.

 

Sastre está recluso preventivamente desde maio do ano pretérito e responde pelas acusações de homicídio doloso qualificado e lesão corporal gravíssimo -em ambos na modalidade dolo eventual, quando a pessoa assume o risco de matar.

O empresário provocou a morte do motorista de aplicativo Ornaldo Silva Viana, 52, depois sovar contra o veículo dele em subida velocidade na zona leste de São Paulo. Na decisão, Gilmar Mendes cita que Sastre estava em velocidade três superior à máxima permitida na via e estaria sob efeito de álcool.

“Ainda segundo os autos, o paciente teria iludido os policiais com a informação que teria que ir, com urgência, a uma determinada unidade de saúde, somente com a finalidade de se furtar à submissão ao fiscalização de alcoolemia”, afirmou o ministro, que relembrou que os policiais estiveram na unidade de saúde informada por Sastre, mas descobriram que ele não deu ingresso no hospital.

O ministro do STF ainda citou que Sastre desapareceu por três dias, que no dia do acidente fazia somente 12 dias que tinha renovado o recta de encaminhar e que o prontuário de condutor dele é “comprometedor”. Gilmar, por termo, argumenta ser inviável a substituição de prisão preventiva (sem prazo) por outras medidas.

Procurado, o legisperito Jonas Marzagão, que representa Sastre, não respondeu sobre a decisão. No pedido de habeas corpus, a resguardo afirma que a medida contra o empresário se deu de forma excessiva.

“A prisão foi decretada sob o viés restrito da seriedade do delito e a repercussão midiática, que (parece) fazer de refém, até mesmo quem não deveria ser levado pelos influxos de prejulgamentos extrajudiciais: Magistrados!”

Também explica que Sastre já está sob oito medidas cautelares, repositório de R$ 500 milénio de fiança, vedação de encaminhar e contatar testemunhas, o que, segundo o legisperito, “nunca foi descumprido e, sempre foi suficiente”.

Relembre o caso

A colisão aconteceu na avenida Salim Farah Maluf por volta das 2h do dia 31 de março. Sastre perdeu o controle do Porsche e colidiu na traseira de um Renault Sandero, de tratado com policiais militares que atenderam a ocorrência. Atingido, Ornaldo foi socorrido e guiado ao Hospital Municipal do Tatuapé, onde morreu.

Um companheiro do empresário que o acompanhava, Marcus Vinicius, também saiu ferido.

Sastre foi indiciado criminalmente por suspeita de homicídio doloso, lesão corporal e fuga. O possessor do Porsche se apresentou na delegacia mais de 30 horas depois a colisão.

No dia do acidente, o empresário havia saído com a namorada e um parelha de amigos. Eles estiveram em um bar, no qual consumiram R$ 620 e, em seguida, em uma lar de pôquer, na qual Sastre ganhou R$ 1.000 e consumiu R$ 400.

No primeiro estabelecimento, eles beberam oito drinques chamado Jack Pork -feito com uísque, licor, angostura e xarope de limão siciliano- além de uma capirinha de vodca.

Segundo o Ministério Público, Daniela Cristina de Medeiros Andrade, mãe do suspeito, tentou atrapalhar as investigações.

Imagens de câmeras corporais dos PMs que atenderam a ocorrência mostram o jovem ao lado da mãe, por volta das 3h do dia 31 de março. Os dois tentaram deixar o sítio, mas são impedidos por uma policial militar que afirma que precisa “qualificar” o jovem antes de liberá-lo. “Não pode tirar ele daqui assim”, afirma.

A mãe do motorista afirmou portanto às autoridades que levaria ele até o hospital. Porém, quando os PMs foram até o estabelecimento, descobriram que o empresário não havia pretérito lá.

Sastre foi sentenciado a remunerar dois salários mínimos (R$ 2.824) por mês para a família da vítima. A resguardo da família de Viana havia pedido pensão no valor de cinco salários mínimos (R$ 7.060), e o Ministério Público de São Paulo defendeu o pagamento de três salários (R$ 4.236).

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