GAZETA DE SOROCABA

Bolsonaro devia estar chateado por posse de Trump quando me criticou, diz Astronauta Marcos Pontes

Gazeta de Sorocaba
Por Redação
Publicado em 25 de Janeiro de 2025 às 14:33

THAÍSA OLIVEIRA
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Candidato avulso à presidência do Senado, o Astronauta Marcos Pontes (PL-SP) diz que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) devia estar chateado quando o criticou, no início da semana, por ter sido impedido de ir à posse do coligado Donald Trump, nos Estados Unidos.

 

Bolsonaro disparou contra seu ex-ministro dizendo que a decisão dele de concorrer contra Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) à revelia do PL era “lastimoso”. Pontes minimiza o desgaste e afirma inclusive ter se inspirado no ex-presidente -derrotado quatro vezes à presidência da Câmara.

“Ele devia estar chateado, lógico, eu também estaria chateado. É igual quando você come alguma coisa que bate mal”, diz o senador à reportagem.

*PERGUNTA – Por que resolveu se candidatar ao Senado contra um candidato tido porquê quase unânime?
MARCOS PONTES – Primeiro que unanimidade é ruim para a democracia. Eu tive 11 milhões de votos no Senado em 2022, a maior votação do Brasil e uma das maiores da história. Eu ouço a população o tempo todo e sentia falta de ter um candidato de direita que representasse justamente esses anseios da população, coisas que a gente defende desde a campanha: contra drogas, monstruosidade, jogos, em prol de democracia verdadeira, liberdade, anistia, de colocar os processos de impeachment [contra ministros do STF] para votar.

P – O sr. anunciou a candidatura no mesmo dia em que Bolsonaro declarou o suporte do PL a Alcolumbre, o que demonstrou que o sr. estava solitário e sem respaldo. É isso mesmo?
MP – Reverência a posição do partido, sem problema nenhum, faz secção. Eu tive todo o desvelo de não afetar o partido, falei com o Valdemar [Costa Neto], presidente do partido antes. Falei: vou fazer uma candidatura independente de forma a não ter retaliação [ao PL]. O partido mantém o consonância [com Alcolumbre].
E antes de me apresentar eu fui falar com o Davi também. Falei: Davi, zero contra você, você tem as suas ideias, eu tenho as minhas. Vou apresentar a minha candidatura porque eu acho que tem que ter uma candidatura da direita. Aí ele, pô, mas… Tudo muito, faz secção, isso aí é privilégio de um senador. O vestuário de ser uma candidatura independente não prejudica o partido.

P – Mas o sr. realmente acredita que pode lucrar? O que todo mundo diz é que Alcolumbre será o próximo presidente do Senado.
MP – Nasci na periferia, sem saneamento, sem pavimentação, sem zero. Eu falava para o pessoal que queria ser piloto, olhavam para mim e davam risada. E eu fui não só piloto, porquê fui astronauta. Ou seja, você tem que crer nas coisas.

P – O que Valdemar disse?
MP – Ele falou assim: ah, não tem problema, vai lá, [de forma] independente não tem problema nenhum, é uma privilégio do senador. Mas você vai permanecer desenganado. Eu falei assim: mas é melhor eu permanecer desenganado com os outros do que permanecer desenganado comigo.
E sabe quem que me inspirou bastante nisso também? Bolsonaro. Ele foi candidato quatro vezes à presidência da Câmara dos Deputados [perdeu em todas as ocasiões].

P – Bolsonaro deixou evidente que está está obrigado com o sr.
MP – Eu vi. Eu conheço o Bolsonaro há mais de 20 anos, considero meu camarada. E camarada é aquela coisa, pode concordar contigo ou discordar de você. Faz secção da amizade. O importante é a gente estar pensando no mesmo sentido, em trabalhar para ajudar o Brasil.
Tem que considerar também que foi exatamente o dia que era pra ele estar lá na posse do Trump. E ele devia estar chateado, lógico, eu também estaria chateado. É igual quando você come alguma coisa que bate mal, assim, né? Não tem problema não, tranquilo, a gente continua na luta.

P – Há um incômodo com a candidatura também no PL e no entorno de Alcolumbre. O senador Ciro Nogueira (PP-PI) chamou de ingratidão e traição.
MP – A opinião da pessoa só serve pra gente conhecê-la. No mais, não serve para muita coisa. O vestuário de eu ter ido ao espaço me deu mais visão de vida e mais capacidade de estimar muita coisa do que as pessoas que nunca foram. Isso me dá a serenidade para poder olhar isso aí [e pensar], um dia vai aprender um pouco mais. Com relação à traição, isso não existe.
Continuo a fazer a mesma coisa que eu prometi para os meus eleitores. Não mudei em zero. E vou continuar assim. Eu estava lá fazendo campanha em 2018. Tem que checar, eu não lembro onde estava o Ciro em 2018. Mas eu estava lá fazendo campanha, bastante, para o Bolsonaro, em São Paulo. Mas isso também não vem ao caso; isso está lá no pretérito, né?

*RAIO-X | MARCOS PONTES, 61
É senador por São Paulo e ex-ministro da Ciência e Tecnologia do governo Bolsonaro (PL). Engenheiro aeronáutico e astronauta, tornou-se o primeiro brasílico a ir ao espaço, em 2006, por meio da Missão Centenário.

Leia Também: Juiz pede indenização de R$ 50 mil por ‘provocações e falas deselegantes’ de promotora

VEJA TAMBÉM