Vereador de Sorocaba e candidato a deputado estadual, Ítalo Moreira construiu sua atuação parlamentar com milhares de fiscalizações, denúncias e representações contra possíveis irregularidades na administração pública
Em um cenário em que a fiscalização do dinheiro público é uma das principais atribuições do Poder Legislativo, o vereador Ítalo Moreira transformou essa atividade em uma das marcas de seu mandato.
Ao longo de sua atuação na Câmara Municipal de Sorocaba, o parlamentar afirma ter sido responsável por mais de 170 denúncias e representações encaminhadas ao Ministério Público, à Polícia Federal e a outros órgãos de controle, além de ter protocolado mais de 2 mil requerimentos de fiscalização.
O trabalho, segundo o parlamentar, resultou na suspensão ou derrubada de editais que, somados, ultrapassam R$ 156 milhões, valores que poderiam representar impacto significativo aos cofres públicos.
Levantamentos publicados anteriormente pela imprensa local já apontavam quase 2 mil requerimentos de fiscalização e mais de 100 representações ao Ministério Público e a outros órgãos.
Fiscalizar, denunciar e acompanhar
A atuação de Ítalo Moreira segue uma estratégia que se tornou característica de seu mandato: identificar possíveis irregularidades, solicitar documentos e informações ao Executivo, analisar contratos e encaminhar os casos aos órgãos responsáveis pela investigação.
Entre os temas fiscalizados estão contratos públicos, licitações, serviços terceirizados, saúde, segurança, limpeza urbana, aquisição de equipamentos, medicamentos, infraestrutura e utilização de recursos públicos.
Entre as denúncias destacadas em levantamentos sobre sua atuação estão questionamentos relacionados a um contrato de limpeza de terminais, contrato de paisagismo, aquisição de uniformes, aluguel de veículos, falta de medicamentos e contratos milionários relacionados à destinação de resíduos.
O parlamentar também apresentou representação relacionada ao Centro de Estabilização Covid, na qual apontou indícios de superfaturamento. Segundo levantamento publicado à época, a denúncia apontava possível sobrepreço de 150%.
A lógica defendida pelo vereador é que a fiscalização não deve acontecer apenas depois que o dinheiro foi gasto. O objetivo é identificar problemas durante o processo de contratação e impedir que possíveis prejuízos se concretizem.
Denúncias que chegaram à Polícia Federal
Um dos episódios que ganhou maior repercussão ocorreu com a Operação Copia e Cola, da Polícia Federal.
Segundo reportagem publicada em dezembro de 2025, uma denúncia apresentada por Ítalo Moreira serviu como base documental para a investigação da Polícia Federal sobre contratos firmados pela Prefeitura de Sorocaba. A denúncia apresentada pelo vereador apontava possíveis irregularidades envolvendo contratos relacionados à destinação de resíduos e uma construtora, incluindo sucessivas renovações sem licitação.
A operação investiga possíveis irregularidades em contratos públicos. As investigações continuam sob responsabilidade das autoridades competentes, e a existência de uma investigação não significa, por si só, condenação dos envolvidos.
Para Moreira, entretanto, o episódio representa um exemplo de como o trabalho de fiscalização parlamentar pode fornecer informações e documentos para instituições que possuem competência para investigar.
Mais de R$ 156 milhões em editais
Um dos principais números apresentados pelo gabinete de Ítalo Moreira é o de mais de R$ 156 milhões em editais com indícios de superfaturamento ou irregularidades que foram derrubados ou tiveram sua execução impedida após a atuação fiscalizatória.
O número reúne diferentes processos e situações acompanhadas pelo parlamentar.
A atuação inclui pedidos de informações, representações, questionamentos administrativos e medidas destinadas a impedir que contratos considerados problemáticos avançassem.
Para o vereador, cada edital questionado representa uma oportunidade de evitar que recursos públicos sejam utilizados de maneira inadequada.
A defesa desse modelo de atuação parte de uma premissa simples: é melhor impedir o desperdício antes que ele aconteça do que tentar recuperar o dinheiro depois.
Mais de 2 mil requerimentos de fiscalização
O volume de requerimentos é outro elemento que diferencia a atuação do parlamentar.
São mais de 2 mil requerimentos de fiscalização, documentos utilizados para cobrar respostas formais do Poder Executivo e acompanhar a execução de serviços, contratos e políticas públicas.
A Câmara Municipal registra diversos requerimentos de autoria de Moreira sobre assuntos que vão desde contratos e recursos públicos até saúde, segurança e funcionamento de serviços municipais.
O número também representa uma continuidade de uma característica já observada no mandato anterior. Em levantamento publicado em 2025, foram registrados mais de mil requerimentos de fiscalização apresentados pelo vereador durante a legislatura anterior.
CHS: uma das fiscalizações de maior repercussão
Entre as fiscalizações mais recentes está o trabalho realizado em torno do Conjunto Hospitalar de Sorocaba, o CHS.
O caso ganhou grande repercussão em 2026 após uma comissão formada pelos vereadores Ítalo Moreira, Henri Arida, Izídio de Brito e Jussara Fernandes realizar uma série de diligências e reunir documentos, depoimentos, fotografias, áudios e outros elementos.
O relatório produzido pela comissão foi posteriormente encaminhado à Polícia Federal para que os fatos fossem analisados e investigados pelo órgão competente.
Segundo a própria comissão, o material reunido incluía testemunhos, documentos e indícios relacionados aos problemas identificados durante a fiscalização.
A partir do encaminhamento, caberia à Polícia Federal avaliar os elementos apresentados e decidir sobre eventuais providências investigativas.
Afastamento de três diretores do CHS
Poucos dias depois, o caso ganhou um novo capítulo.
O Seconci, entidade responsável pela gestão do CHS, confirmou o afastamento preventivo de três diretores do hospital, após pedido da Secretaria de Estado da Saúde.
Segundo o g1, os afastamentos envolveram três profissionais ligados à direção do CHS e ocorreram após denúncias e o trabalho da comissão da Câmara. A Secretaria Estadual da Saúde solicitou os afastamentos, enquanto o Seconci informou que conduziria uma investigação interna seguindo suas regras de governança e compliance.
O Ministério Público também havia confirmado a existência de problemas relatados por servidores, incluindo questões relacionadas à limpeza, equipes de enfermagem e estrutura do prédio. O relatório produzido pela comissão da Câmara tinha 155 páginas e reuniu denúncias sobre diferentes aspectos da administração hospitalar.
Para Ítalo Moreira, o episódio reforça a importância da fiscalização parlamentar, especialmente em uma área sensível como a saúde pública.
CHS chega à Polícia Federal
A fiscalização do hospital não ficou restrita à Câmara Municipal.
Em agosto de 2026, a comissão formalizou uma denúncia junto à Polícia Federal, solicitando a investigação dos apontamentos reunidos durante os trabalhos.
A comissão afirmou que o relatório foi construído a partir de testemunhos, documentos, fotografias, áudios e informações obtidas por meio de requerimentos.
O encaminhamento levou o caso para a esfera de investigação federal, cabendo às autoridades competentes avaliar os fatos e determinar eventuais responsabilidades.
Um parlamentar que transformou fiscalização em método
A trajetória de Ítalo Moreira na Câmara de Sorocaba é marcada pelo elevado volume de proposições e pela utilização frequente dos instrumentos de fiscalização disponíveis ao Legislativo.
Em levantamento publicado pela imprensa local, o vereador aparece com milhares de proposituras e um número de requerimentos de fiscalização muito superior à média registrada entre os parlamentares.
Mas, além da quantidade, a característica mais destacada pelo parlamentar é o encaminhamento das denúncias para instituições externas à Câmara quando entende que existem elementos que precisam ser investigados.
Assim, o trabalho não termina com o protocolo de um requerimento.
A documentação pode ser encaminhada ao Ministério Público, Tribunal de Contas, Polícia Federal ou outros órgãos de controle, dependendo da natureza do caso.
De Sorocaba para o debate estadual
Agora candidato a deputado estadual, Ítalo Moreira apresenta sua experiência na Câmara de Sorocaba como parte central de sua proposta para uma eventual atuação na Assembleia Legislativa de São Paulo.
A ideia defendida pelo parlamentar é ampliar para o âmbito estadual o modelo de fiscalização desenvolvido no município: acompanhar contratos, investigar possíveis irregularidades, cobrar informações, fiscalizar serviços públicos e encaminhar denúncias às instituições competentes.
Os números apresentados pelo mandato sintetizam essa atuação:
Mais de R$ 156 milhões em editais com indícios de superfaturamento derrubados ou questionados.
Mais de 170 denúncias e representações encaminhadas ao MP, à Polícia Federal e a outros órgãos de controle.
Mais de 2 mil requerimentos de fiscalização.
Milhares de documentos e solicitações de informações produzidos ao longo do mandato.
Entre os casos que ganharam repercussão estão denúncias que, segundo reportagem publicada em 2025, serviram como base documental para a Operação Copia e Cola da Polícia Federal e, mais recentemente, a fiscalização do CHS, que culminou no encaminhamento de um relatório à Polícia Federal e no afastamento de três diretores da unidade.
O histórico revela uma atuação parlamentar baseada em uma linha de trabalho definida: fiscalizar, documentar, denunciar e acompanhar.
Para Ítalo Moreira, o combate à corrupção começa antes mesmo de uma eventual investigação criminal: começa na análise de um edital, na conferência de um contrato, na cobrança de uma informação e na fiscalização de cada real do dinheiro público.
É essa experiência que o parlamentar leva agora para a disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo.








