Na política, há leis que nascem do oportunismo e leis que nascem da urgência. A “Lei Rodrigo Fusco Calvilho”, proposta pelo vereador Ítalo Moreira em Sorocaba e pelo ativista Douglas Oliveira em Votorantim, pertence à segunda categoria — e com louvor.
Inspirada em uma tragédia real, que escancarou a falência silenciosa do socorro de urgência em nossa região, a nova legislação substitui uma norma antiga, genérica e inefetiva, e impõe um padrão claro: toda ambulância, unidade de saúde, evento ou local com alta circulação de pessoas deverá ter um DEA (desfibrilador externo automático) funcionando, com alguém treinado para usá-lo. Simples. Direto. Indispensável.
O projeto vai além do simbólico, estabelece punições sérias para quem descumprir e deixa claro: vida não é luxo, é obrigação mínima do Estado. A cada minuto sem ação numa parada cardíaca, a chance de sobrevida despenca 10%. Em 10 minutos, resta o luto. Essa conta não fecha.
Mais do que uma resposta jurídica, a Lei Rodrigo Fusco é um gesto político — e dos bons. Resgata a função original de um mandato: proteger o cidadão com leis objetivas, baseadas em evidência e com capacidade real de mudar o jogo. Enquanto muitos fingem que estão fazendo algo, Ítalo e Douglas fizeram. E agora desafiam os demais: quem vai ficar contra uma lei que salva vidas?
Sorocaba e Votorantim colocam o coração na lei — literalmente. E dão uma aula de como transformar dor em política pública.
Porque tragédia não se evita com discurso, se evita com preparo e com coragem. E com legisladores que sabem exatamente por que estão sentados naquela cadeira










