GAZETA DE SOROCABA

Temperatura acima de 40ºC aumenta risco de morte entre idosos, aponta estudo da Fiocruz

Gazeta de Sorocaba
Por Redação
Publicado em 17 de Fevereiro de 2025 às 06:34

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Em meio às previsões de calor intenso para os próximos dias, um novo estudo da Fiocruz (Instauração Oswaldo Cruz) mostra que a exposição a temperaturas supra de 40ºC por quatro horas ou mais estão associadas a um aumento de 50% de mortalidade por doenças uma vez que hipertensão, diabetes, Alzheimer, insuficiência renal e infecção do trato urinário entre idosos.

 

No trabalho, foram analisados todos os 466 milénio registros de mortes naturais ocorridas no Rio de Janeiro entre 2012 e 2024, e mais de 390 milénio mortes por 17 causas selecionadas -das quais, 12 tiveram subida da mortalidade para idosos no calor extremo. O item foi publicado uma vez que preprint na plataforma MedRxive submetido a revistas científicas internacionais.

No Rio de Janeiro, a temperatura pode atingir 43ºC na terça (18), um nível inédito de calor, segundo anunciou a prefeitura nesta domingo (16). Caso isso ocorra, medidas uma vez que a suspensão de atividades físicas ao ar livre e mudanças nas escolas municipais podem ser determinadas.

No estudo da Fiocruz, os números foram analisados separadamente conforme a classificação de níveis de calor (NC) do Protocolo de Calor da Prefeitura do Rio, lançado no ano pretérito. Os NCs variam de 1 a 5 e indicam riscos e ações que devem ser tomadas em cada um deles.

O registro de nível de calor 4 é quando a temperatura é superior a 40°C por quatro horas ou mais. Já o nível 5 equivale a duas horas com índice de calor igual ou supra de 44°C. Nessa situação, o mesmo aumento da mortalidade foi observado e agravado conforme o número de horas aumenta, de convenção com o estudo.

Segundo o pesquisador João Henrique de Araujo Morais, responsável principal do trabalho e doutorando na Escola Pátrio de Saúde Pública Sergio Arouca, da Fiocruz, o estudo confirma o que outros trabalhos já demonstraram: níveis extremos de calor são um risco real, principalmente para idosos e pessoas com doenças uma vez que as mencionadas supra.

Porém, um dos diferenciais da pesquisa foi ter desenvolvido uma novidade forma de medir a exposição ao calor e os riscos relacionados, com a geração de uma métrica chamada “Superfície de Exposição ao Calor” (AEC).

Essa medida considera também o tempo que uma pessoa fica exposta ao calor, o que outras métricas, uma vez que temperatura média ou sensação térmica média, não levam em conta. Esse tempo de exposição ao calor intenso tem uma relação importante com a mortalidade, principalmente entre as pessoas mais vulneráveis.

O estudo ilustra a métrica usando uma vez que exemplo a vaga de calor de novembro de 2023. Em 17 de novembro, dia em que a jovem Ana Clara Benevides, 23, morreu em seguida passar mal no estádio Nilton Santos, onde a cantora Taylor Swift se apresentou, o índice de calor no Rio ficou supra de 44°C por oito horas, gerando um recorde de AEC. A sensação térmica no estádio Nilton Santos, porém, era de 60ºC.

De convenção com trabalho, no dia seguinte, 18 de novembro, foi registrado o maior número de mortes de idosos por causas específicas: 151 no totalidade.

Segundo o pesquisador, a utensílio que se mostrou mais eficiente do que outras métricas para identificar dias de calor extremo e, assim, facilitar na prevenção das possíveis consequências.

O estudo comparou outras duas datas para mostrar uma vez que a AEC funciona. Em 12 de janeiro de 2020, o índice de calor foi de 32,69°C, enquanto em 7 de outubro de 2023 foi de 32,51°C. No segundo dia, porém, o calor durou mais tempo, resultando em uma AEC 20 vezes superior a do primeiro dia.

“Ao considerar exclusivamente medidas-resumo (médias ou máximas) podemos subestimar dias anormalmente quentes. A métrica, por sua vez, consegue identificar isso e pode ser utilizada para definição de protocolos similares ao desenvolvido cá no Rio”, disse Morais em entrevista ao portal da Fiocruz.

Para o pesquisador, com o aumento de frequência e intensidade das ondas de calor não só para o município do Rio, mas para diversas áreas urbanas do Brasil, medidas individuais são importantes, mas é necessário ter políticas públicas que adequem as atividades e protejam a população.

“Sabe-se que populações específicas estão em eminente risco -como trabalhadores diretamente expostos ao sol, populações de rua, grupos mais vulneráveis (crianças, idosos, pessoas com doenças crônicas), e populações que vivem nas chamadas ilhas de calor urbano.”

No protocolo de calor do município do Rio, estão previstas medidas uma vez que disponibilização de pontos de hidratação e resfriamento, adaptação de atividades de trabalho, informação manente com a população e suspensão de atividades de risco em níveis mais críticos.

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