GAZETA DE SOROCABA

Lula deve se comprometer com fim de combustíveis fósseis, diz ONG de direitos humanos

Gazeta de Sorocaba
Por Redação
Publicado em 16 de Janeiro de 2025 às 12:33

(FOLHAPRESS) – A ONG Human Rights Watch criticou as intenções do governo Lula de ampliar os investimentos e projetos relacionados aos combustíveis fósseis no Brasil, entre eles o projecto de permitir a exploração de petróleo na bacia Foz do Amazonas.

 

Segundo a ONG, o Brasil deve liderar a COP30 (conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas) pelo exemplo, incluindo na preparação para receber o evento, em Belém, um compromisso do presidente com a extinção gradual da pujança fóssil, além da implementação de medidas para a proteção das florestas.

A COP30 acontece em novembro deste ano na capital do Pará.

Em seu 35º relatório mundial, lançado nesta quinta-feira (16), a instituição elencou os principais desafios do país no campo ambiental, uma vez que o combate ao desmatamento, ao mina ilícito e à geração de manada em áreas de desmatamento ilícito.

“O governo Lula avançou na redução da taxa de desmatamento na amazônia, mas ao mesmo tempo planeja enormes investimentos na exploração e produção de petróleo e gás, o que deve exacerbar a crise climática global”, diz César Muñoz, diretor da Human Rights Watch no Brasil em um enviado.

Na terça-feira (14), o ministro de Minas e Robustez, Alexandre Silveira, disse que o Ibama (Instituto Brasílico do Meio Envolvente e dos Recursos Naturais Renováveis) vai autorizar a exploração de petróleo na bacia Foz do Amazonas. O projeto é uma das prioridades da Petrobras.

O documento afirma que eventos climáticos enfrentados pelo país em 2024 foram responsáveis por graves impactos ambientais e danos à saúde da população, destacando as enchentes no Rio Grande do Sul, que deixaram mais de 180 mortos, e os mais de 27 milénio hectares queimados de janeiro a outubro daquele ano.

Para Muñoz, as enchentes, secas e queimadas que atingiram o país no último ano servem de lembrete do dispêndio ambiental e de direitos humanos impostos pelos eventos climáticos extremos, que estão se tornando mais intensos e frequentes devido às mudanças climáticas.

Segundo a Human Rights Watch, a eleição de Donald Trump para presidência dos Estados Unidos representa um chamado ainda mais possante para que o Brasil se posicione uma vez que líder no combate às mudanças climáticas e na resguardo dos direitos humanos.

“O governo Lula deveria fazer a sua secção para limitar o impacto devastador das mudanças climáticas sobre pessoas e comunidades, iniciando imediatamente uma eliminação gradual e justa dos combustíveis fósseis e ampliando as proteções para as florestas e os povos que dependem delas para sobreviver”, afirma a ONG no enviado.

O documento traz ainda outros pontos que marcaram o ano de 2024 relacionados ao progresso dos direitos humanos e que precisam da atenção do governo, uma vez que a violência policial, a violência de gênero e a proteção de direitos dos povos indígenas, quilombolas e defensores do meio envolvente.

No relatório, a instituição traz uma estudo da situação dos direitos humanos em mais de centena países. O texto lista os conflitos e crises humanitárias que marcaram o ano de 2024 ao volta do planeta, uma vez que as guerras da Ucrânia e de Gaza.

A ONG criticou a gestão do presidente dos EUA, Joe Biden, por abastecer Israel com armas, mesmo sob violações do recta internacional em Gaza, enquanto condena a Rússia por violações que considera semelhantes na Ucrânia.

A instituição pede que governos respeitem e defendam os direitos humanos com mais interesse diante do aumento do autoritarismo e de conflitos armados.

“Quando os direitos são protegidos, a humanidade floresce. Quando são negados, o dispêndio não é medido em princípios abstratos, mas em vidas humanas. Esse é o duelo e a oportunidade de nosso tempo”, conclui Tirana Hassan, diretora-executiva da ONG, em enviado.

O projeto Excluídos do Clima é uma parceria com a Instauração Ford.

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