GAZETA DE SOROCABA

Ciclone que devastou arquipélago francês no Oceano Índico deixa ao menos 34 mortos em Moçambique

Gazeta de Sorocaba
Por
Publicado em 17 de Dezembro de 2024 às 13:33

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O furacão Chido, que durante o término de semana devastou o território francesismo de Mayotte, no Oceano Índico, deixou ao menos 34 mortos em Moçambique, anunciaram nesta terça-feira (17) autoridades do país africano.

 

De conciliação com o Instituto Vernáculo de Gestão de Riscos e Desastres, a tempestade atingiu a província de Cabo Franzino, no setentrião de Moçambique, no último domingo (15), matando 28 pessoas. Seis pessoas morreram nas províncias vizinhas de Nampula e Niassa e outras sete teriam morrido no país vizinho Maláui.

Imagens de drones da província de Cabo Franzino, a mais afetada em Moçambique, mostraram casas de palha arrasadas perto da praia e pertences pessoais espalhados sob as poucas palmeiras ainda de pé. O incidente se soma à crise humanitária que a região já enfrentava devido a uma insurgência islâmica.

Em Mayotte, o número de vítimas segue incerto. Em entrevista a uma rádio nesta terça, o prefeito da capital do território, Ambdilwahedou Soumaila, afirmou que pelo menos 22 pessoas morreram e mais de 1.400 ficaram feridas em decorrência do evento climatológico.

O balanço solene mais recente, no entanto, fala em 21 mortos. Nenhum dos dois dá a dimensão da tragédia, segundo autoridades locais, que falam na possibilidade de centenas de mortos -número que só poderá ser verificado nos próximos dias, quando os escombros forem removidos e as estradas forem reabertas.

“O balanço será sobranceiro, muito sobranceiro”, afirmou o ministro do Interno da França, Bruno Retailleau. Funcionário de mais sobranceiro escalão do governo a visitar a ilhota depois o furacão, ele disse que Mayotte está “completamente devastada” e que 70% dos seus habitantes foram afetados.

Segundo Soumaila, a preocupação atual é com o caos que pode se instalar depois a devastação. “A prioridade hoje é chuva e comida”, disse o prefeito da capital da ilhota. Ele citou ainda o risco de doenças e o aumento da criminalidade devido à falta de vontade. “Os corpos estão começando a se dissociar, o que pode gerar um problema sanitário.”

Retailleau anunciou que, nos próximos dias, 400 policiais devem chegar a Mayotte para substanciar a equipe de 1.600 guardas e policiais já presentes no território. Outrossim, a França impôs um toque de recolher das 22h às 4h locais para evitar saques -que, segundo o ministro, ainda não ocorreram.

Patrice Latron, representante do governo de Réunion, outro território francesismo na região, disse que, a partir desta terça, ao menos 20 toneladas de comida e chuva serão enviadas em aviões para Mayotte diariamente, e que pelo menos dois navios transportariam contêineres com mantimentos no final da semana.

O sinistro rapidamente se transformou em um debate político sobre transmigração e crise climática na França, altamente polarizada.

Território ultramarino mais pobre do país europeu, a ilhota se tornou um reduto para o partido de ultradireita Reunião Vernáculo. No segundo vez das eleições presidenciais de 2022, 60% da população lugar votou em Marine Le Pen.

O fenômeno é fruto da irritação de muitos dos residentes de Mayotte com a imigração proibido e a inflação. Mais de três quartos de seus muro de 321 milénio habitantes vivem em relativa pobreza, e estima-se que muro de um terço sejam migrantes sem documentos, a maioria dos vizinhos Ilhas Comores e Madagascar.

O ministro do Interno Retailleau, do partido conservador Republicanos, disse em uma entrevista coletiva em Mayotte que o sistema de alerta de desastres funcionou “perfeitamente”, mas muitas das pessoas sem documentos não foram para os abrigos designados, possivelmente por terror de serem presos.

O impacto do furacão, disse ele em um post na rede social X, mostrou a premência de abordar “a questão migratória”. “Mayotte é o símbolo do meandro que os governos permitiram que tomasse conta dessa questão”, afirmou. “Precisaremos legislar para que em Mayotte, assim porquê em todo o território pátrio, a França retome o controle de sua imigração.”

Políticos de esquerda, no entanto, afirmam que o sinistro é resultado do descaso do governo com Mayotte e da falta de preparo para as mudanças climáticas.

“Ele poderia ter questionado o papel das mudanças climáticas na produção de desastres climáticos cada vez mais intensos. Ele poderia ter se manifestado contra a pobreza extrema que torna as pessoas mais vulneráveis aos ciclones”, disse o presidente do Partido Socialista, Olivier Faure, na mesma rede social. “Não, ele retomou sua cruzada contra os migrantes.”

O primeiro-ministro nomeado na semana passada, François Bayrou, enfrentou críticas por ir à cidade de Pau, onde é prefeito, para participar de uma reunião do recomendação municipal nesta segunda, em vez de visitar Mayotte. Em seguida uma reunião de emergência do gabinete nesta segunda, Macron afirmou que visitaria a ilhota nos próximos dias.

Leia Também: Tornado atinge parque de estacionamento nos EUA e faz 4 feridos; veja

VEJA TAMBÉM